Professores de Salvador enfrentam desafio crescente com alunos conectados o tempo todo
Uso excessivo de celulares e redes sociais em sala preocupa educadores e reacende debate sobre limites e apoio das famílias
Manter a atenção dos alunos dentro da sala de aula tem se tornado um dos maiores desafios enfrentados por professores em Salvador. Em escolas públicas e privadas, educadores convivem diariamente com estudantes cada vez mais conectados aos celulares, redes sociais, vídeos curtos, jogos online e conteúdos digitais que disputam diretamente o foco durante as aulas.
A preocupação ganhou ainda mais força após a entrada em vigor da Lei Federal nº 15.100/2025 e do Decreto nº 12.385/2025, que passaram a restringir o uso de celulares nas escolas da Bahia durante aulas, recreios e intervalos, permitindo exceções apenas para atividades pedagógicas e necessidades de saúde. A medida foi criada justamente diante do impacto que o excesso de telas vem causando no ambiente escolar.
Professores relatam que muitos alunos apresentam dificuldade para manter concentração por longos períodos, demonstram ansiedade longe do celular e perdem rapidamente o interesse em atividades que exigem leitura, interpretação e raciocínio contínuo. Em muitos casos, o aparelho passou a ocupar um espaço central na rotina emocional e social dos adolescentes.
O problema vai além da distração. Educadores também demonstram preocupação com o acesso precoce de jovens a conteúdos inadequados, incluindo plataformas de apostas online, amplamente divulgadas nas redes sociais e consumidas por adolescentes cada vez mais cedo.
Especialistas explicam que aplicativos digitais são desenvolvidos para estimular permanência constante na tela, através de notificações, vídeos rápidos e recompensas instantâneas. Esse mecanismo gera sensação de prazer imediato e faz com que o cérebro passe a buscar estímulos frequentes, dificultando o foco em atividades escolares tradicionais.
Dentro das escolas, muitos professores afirmam que, além de ensinar o conteúdo, precisam disputar atenção com o universo digital presente nas mãos dos estudantes praticamente o tempo inteiro.
O debate também reforça um ponto considerado fundamental por educadores: a escola não consegue enfrentar esse problema sozinha. Pais e responsáveis precisam participar mais ativamente da rotina digital dos filhos, estabelecendo limites, supervisionando conteúdos e incentivando momentos longe das telas.
A regulamentação publicada pelo Governo da Bahia também prevê ações de conscientização com famílias e profissionais da educação, reconhecendo que o excesso de uso de dispositivos eletrônicos pode afetar saúde mental, aprendizagem e convivência social.
Para muitos professores, o desafio da educação hoje não é apenas ensinar matemática, português ou ciências, mas conseguir, antes de tudo, reconquistar a atenção de uma geração que cresceu conectada permanentemente às telas.
